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Blog temporário para boletim da casa da animação.
sábado, 16 de julho de 2011
A POESIA EM CONTRAPONTO COM A LITERATURA

por: Manuela Lima Barrosa
Dizem, alguns “experts” que o cinema de animação é uma arte infantil. Enganam-se! O cinema de imagem real está, na literatura equivalente à prosa, como o de animação para a poesia. A arte de sentir e transmitir. Por isso aqui estamos e continuaremos a estar a lutar pela liberdade de criação, emoções e mensagens!
Ano Novo, vida nova, e cá estamos cheios de garra para “reavivar” a “Nossa Casa da Animação”.
Não são muitas as iniciativas em tempo de veraneio, mas quanto baste para o aproximar da magia do criador Emile Reynaud.
Neste número zero da nossa newsletter, com nova direcção e uma equipa cheia de apego, ficam aqui registadas algumas iniciativas de destaque.
A nível nacional é de salientar a nova “Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas”, que foi formalizada na passada sexta-feira, em Lisboa. O que quer isto dizer? Pode ser ambíguo. Pelos vistos é um organismo semelhante aos dos EUA ou Espanha. Semelhanças? Logo analisaremos.
Uma boa notícia vem do Sul: “Curtas – Panorama – Estreia Comercial de Curtas Portuguesas” no Bairro Alto. A primeira sessão arrancou no passado dia 10 e deu destaque ao filme de Miguel Clara Vasconcelos “ O Mal dos Outros”. Em exibição esteve também uma panóplia de filmes dos mais variados estilos, como “Senhor X”, de Gonçalo Galvão Teles; “My Music” de Tiago Albuquerque; “Paisagem Urbana com Rapariga e Avião”, de João Figueiras; “ A única Vez”, de Nuno Amorim; “Vacas” de Isabel Aboim inglês; “Algo Importante” de João Fazenda; e “Pickpocket” de João Figueiras.
As diferentes áreas cinematográficas em perfeita harmonia. Um programa a rodar por todo o país. Fique atento!
Num âmbito totalmente diferente chega o Multimeios de Espinho, nas sessões infantis que retoma aos domingos de manhã. Sessões mainstream com filmes a passarem no circuito, comercial, exibindo, em particular para os mais jovens, obras como “Winnie thePoo”, “ O Panda do Kung Fu” ou “Hop”. Dos 8 aos 80 para quem goste de cinema comercial. A repensar, provavelmente, uma nova estratégia….
Avanca 2011 - Encontros Internacionais de Cinema, televisão, Vídeo e Multimédia, já de 20 a 24 de Julho. Com filmes inéditos dos vários pontos do globo e com os tradicionais workshops, frequentados por centenas de jovens e profissionais de norte a sul do país. Nesta localidade do distrito de Aveiro pode encontrar os “sui generis” workshops, encabeçados por profissionais de renome internacional, desde Luís Filipe Rocha (Portugal), passando por Mahodreza Vatandousst (Irão); Ciro Altabás (Espanha), entre outros. Meia dezena de formações que passam pelas diversas vertentes cinematográficas.
Em produção ou já acabados para os próximos festivais temos obras nacionais de grande destaque assinadas por realizadores como Filipe Abranches, Vitor Lopes ou Joana Toste. A não perder nos próximos festivais.
ALÉM FRONTEIRAS
Depois de batermos o recorde com sete obras no maior festival Internacional mundial, Annecy (França), há que destacar o Animamundi, realizado no Rio de Janeiro e São Paulo, também ele um dos maiores Festivais do mundo. Conta com mais de 500 filmes em exibição, entre competição, mostras, workshops e muitas outras actividades. Decorre em finais de Julho nas duas cidades. Tem em competição dois filmes portugueses: “Viagem a Cabo Verde”, de José Miguel Ribeiro, e “ Os Olhos do Farol”, de Pedro Serrazina, já distinguidos internacionalmente. Juntam-se mais três obras lusitanas noutras categorias.
E a animação é mesmo isto! Um fervilhar de emoções para, neste caso, dar a conhecer a alma lusitana! Até Setembro!
Bournemouth foi uma animação: Três anos numa universidade em Inglaterra

por: Sara Sousa
Apesar de muito entusiasmada com a ideia de ir estudar exactamente o que eu queria, viver num ambiente completamente novo, com pessoas de todos os lados do mundo, enriquecer a minha experiência profissional e social e o meu nível de inglês, partir deu-me um bocado de nervoso miudinho. Sabia que o quer que corresse mal teria uma dimensão maior do que se estivesse perto de casa. Mas rapidamente me vi rodeada de gente na mesma situação com quem, pelas mesmas razões e outras, criei laços rapidamente, e decidi que preferia apanhar a onda de novidade e pôr a ansiedade de lado. Hoje penso com satisfação que foram três anos bem aproveitados, tanto em termos sociais como no desenvolvimento das minhas capacidades.
Fiz a licenciatura na Arts University College at Bournemouth, em Inglaterra, no curso de Produção de Animação. A formação é bastante prática e eficiente (adequada à área) e o nível de exigência alto, facto de que beneficiei bastante e que ajudou a preparar-me muito melhor para poder candidatar-me e trabalhar com profissionalismo em estúdios dentro e fora de Inglaterra e Portugal.
O curso em si é extremamente flexível às várias técnicas de animação, começando pela animação tradicional (que dá os princípios básicos para tudo o resto), até à animação de volumes e 3D.
Composto pelos três anos de licenciatura, está construído de forma a motivar os alunos a interagir e a partilhar o conhecimento em projectos comuns. Pessoalmente, aprendi muito também com os meus colegas. Todos tinham estilos diferentes e algo novo para mostrar. O primeiro é o ano de iniciação aos princípios básicos da animação e do desenho; o segundo, para além das disciplinas normais, é de preparação para o projecto final no ano seguinte e de trabalho nos filmes dos alunos no terceiro ano; e o terceiro é dedicado principalmente à realização de uma curta‑metragem de 2 minutos.
De acordo com os gostos de cada um, qualquer aluno pode decidir ser realizador, animador ou artista conceptual.
Para além de tudo isto há frequentemente workshops e tutoriais de diferentes temas dentro da animação (teóricos e práticos), dados por convidados da indústria mundial, (como a Disney, ou King Rollo Studios ou artistas independentes como Suzie Templeton). E para quem nunca experimentou animação e acha que pode beneficiar de um ano de pré-iniciação, a universidade também dispõe dessa possibilidade.
Ao acabar a licenciatura senti que tinha aprendido o que queria. Entrei a rabiscar e saí com técnica de desenho. Aprendi a organizar a minha forma de pensar aplicada à narrativa de uma história e como pensar em usar o contexto para criar as personagens de forma coerente. Acompanhei as várias fases do desenvolvimento de filmes e percebi a importância da organização inicial e de como é essencial conseguir cumprir os prazos. Principalmente, desenvolvi a minha técnica de animação tradicional e, mais tarde, aprendi a estilizá-la.
Mais para o final, e muito relevante, fui confrontada com simulações de entrevistas e ensinada a organizar e apresentar o meu trabalho de forma a poder fazê-lo no mundo profissional.
Finalmente, grande parte da satisfação que guardo em memória passa também, claro, pela experiência social. O estúdio é um espaço aberto e agradável, dividido de forma a juntar pequenos grupos de trabalho, o que proporciona o à-vontade necessário para juntar a criatividade ao trabalho, tornando-se num lugar pessoal e confortável. E quem gosta do ar livre vai adorar as idas em grupo ao enorme jardim Zoológico de Marwell para fazer desenho à vista. Não esquecer também a cidade de Bournemouth, para os tempos livres: pequena, bonita, com muitos espaços verdes e ao pé da praia!! Onde fortaleci amizades com pessoas que estão agora espalhadas por estúdios em toda a Europa e mais além, e com quem tenciono voltar a estar e, possivelmente, também trabalhar.
A Animação Portuguesa em Annecy e a Agência da Curta-Metragem

Por: Abi Feijó
A Animação Portuguesa é variada na sua forma e nas vertentes que tem sabido desenvolver, tanto na produção como nos aspectos culturais e pedagógicos, e é esta variedade que poderão encontrar representada pela Agência da Curta-Metragem, que este ano esteve presente, pela primeira vez, no Festival de Annecy.
Desde 1991 ano em que o Instituto Português de Cinema (hoje ICA-IP) começou a apoiar as curtas-metragens, que a Animação Portuguesa se começou a desenvolver. Primeiro no âmbito das curtas-metragens e mais tarde com a tentativa da sua industrialização: Os Salteadores (Abi Feijó – 1993), a Estória do Gato e da Lua (Pedro Serrazina – 1995), A Suspeita (José Miguel Ribeiro – 1999) e a História Trágica com Final Feliz (Regina Pessoa – 2005) são, porventura, os exemplos mais significativos do sucesso e do reconhecimento internacional que a Animação Portuguesa alcançou, sem esquecer os nomes de Zepe, Joana Toste e Cristiano Mourato.
Infelizmente no campo da industrialização, os resultados não são tão encorajadores, apesar dos esforços da Animanostra, da Zeppelin Filmes e, mais recentemente, da Sardinha em Lata. Dificuldades no envolvimento das televisões nacionais na produção de animação, bem como a ausência de ofertas de formação, até há pouco tempo, dificultaram muito esta tarefa das produtoras nacionais. Mas, recentemente, o ensino da Animação começou a dar os primeiros passos o que constitui um factor de mudança e de desenvolvimento.
Culturalmente, Portugal tem organizado festivais importantes, como o Cinanima, que desde 1977 tem divulgado o melhor da Animação Mundial; a Monstra, que já ultrapassou os seus primeiros 10 anos de existência; e, ainda, o First, um festival de filmes de escolas. A Casa da Animação – um centro cultural inteiramente dedicado ao Cinema de Animação – constitui um outro pólo dinamizador da Animação, promovendo, entre muitas outras actividades, sessões de filmes, workshops, simpósios e a Festa Mundial da Animação. Em Vila do Conde, a ANIMAR tem conseguido levar uma verdadeira multidão às suas exposições sobre Cinema de Animação.
É importante referir, ainda, o assinalável trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no âmbito dos workshops de cinema de animação com crianças e adolescentes, cuja produção anual ronda as duas horas de filmes, sendo o Fernando Saraiva e a Anilupa um dos principais responsáveis, num universo onde me incluo e se destacam, também, os trabalhos de Fernando Galrito, Paulina Vieira, Paulo d’Alva, Cine Clube de Avanca e Cine Clube de Viseu, entre muito outros.
Esta presença da Agência da Curta-Metragem no Festival de Annecy constitui uma excelente oportunidade para conhecer a melhor Animação se tem vendo a produzir em Portugal, pelo que esperamos por si no nosso stand no MIFA (Marché international du film d’animation).
Caminhos do Cinema de Animação

por:
Marina Estrela Graça
A nova direcção, liderada pelo realizador e produtor José Miguel Ribeiro, tomou posse na assembleia geral do dia 19 de Junho.
No programa que propôs, comprometeu-se a manter as actividades que a Casa da Animação tem desenvolvido ao longo dos anos; a reformular o Serviço Educativo, desenvolvendo aspectos relacionados com as metodologias, organizando uma estratégia sólida, articulada e coerente; e a desenvolver os seguintes novos projectos:
Portal do Cinema de Animação;
Atelier de Técnicas Narrativas para Cinema de Animação, Banda Desenhada e Ilustração;
Observatório Nacional da Formação em Imagem Animada;
Trienal da Animação.
Mas a razão que me leva a escrever esta nota tem a ver com o espírito que anima a nova direcção.
A maior parte dos associados que redigiram o programa e que, depois, aceitaram assumir as diferentes tarefas e responsabilidades, fez parte dos trabalhos dos Caminhos da Animação Portuguesa que levaram à redacção da Carta Estratégica. No processo, entre Novembro de 2009 e Março de 2011, cada um de nós foi melhorando o seu conhecimento do sector: quantos somos, aonde estamos, o que fazemos, o que queremos e, sobretudo, como somos. Se outro resultado não houvesse, isto tudo já seria espantoso: conhecermo-nos! Mas o melhor de tudo, para mim, foi ganhar consciência de que podemos trabalhar uns com os outros sem conflitos e com um bom sentimento de partilha e de obra feita.
Foi esse o espírito que justificou o termos avançado para a organização de uma lista candidata às eleições para a Casa da Animação. Isso e as novas tecnologias que permitem fazer reuniões a partir dos vários sítios onde trabalhamos ou moramos. De outro modo, com o excesso de trabalho e com a distância, nenhum de nós teria podido honestamente assumir funções e responsabilidades.
Queremos envolver os associados e tornar-nos visíveis no país (e, se possível, no estrangeiro), aproveitando o facto de estarmos espalhados e de já termos a nossa própria rede de contactos institucionais. Neste momento, temos uma equipa de gente generosa e inteligente a coordenar projectos e a apoiar a Casa da Animação no cumprimento da sua missão. Nos próximos boletins iremos dar a palavra aos diferentes projectos, dando visibilidade ao seu trabalho e aos resultados que forem sendo obtidos.
Estamos abertos, por isso, não apenas às sugestões e comentários de todos mas, igualmente, à vossa participação nos projectos.