sábado, 16 de julho de 2011

Bournemouth foi uma animação: Três anos numa universidade em Inglaterra

por: Sara Sousa


Apesar de muito entusiasmada com a ideia de ir estudar exactamente o que eu queria, viver num ambiente completamente novo, com pessoas de todos os lados do mundo, enriquecer a minha experiência profissional e social e o meu nível de inglês, partir deu-me um bocado de nervoso miudinho. Sabia que o quer que corresse mal teria uma dimensão maior do que se estivesse perto de casa. Mas rapidamente me vi rodeada de gente na mesma situação com quem, pelas mesmas razões e outras, criei laços rapidamente, e decidi que preferia apanhar a onda de novidade e pôr a ansiedade de lado. Hoje penso com satisfação que foram três anos bem aproveitados, tanto em termos sociais como no desenvolvimento das minhas capacidades.


Fiz a licenciatura na Arts University College at Bournemouth, em Inglaterra, no curso de Produção de Animação. A formação é bastante prática e eficiente (adequada à área) e o nível de exigência alto, facto de que beneficiei bastante e que ajudou a preparar-me muito melhor para poder candidatar-me e trabalhar com profissionalismo em estúdios dentro e fora de Inglaterra e Portugal.

O curso em si é extremamente flexível às várias técnicas de animação, começando pela animação tradicional (que dá os princípios básicos para tudo o resto), até à animação de volumes e 3D.

Composto pelos três anos de licenciatura, está construído de forma a motivar os alunos a interagir e a partilhar o conhecimento em projectos comuns. Pessoalmente, aprendi muito também com os meus colegas. Todos tinham estilos diferentes e algo novo para mostrar. O primeiro é o ano de iniciação aos princípios básicos da animação e do desenho; o segundo, para além das disciplinas normais, é de preparação para o projecto final no ano seguinte e de trabalho nos filmes dos alunos no terceiro ano; e o terceiro é dedicado principalmente à realização de uma curta‑metragem de 2 minutos.

De acordo com os gostos de cada um, qualquer aluno pode decidir ser realizador, animador ou artista conceptual.

Para além de tudo isto há frequentemente workshops e tutoriais de diferentes temas dentro da animação (teóricos e práticos), dados por convidados da indústria mundial, (como a Disney, ou King Rollo Studios ou artistas independentes como Suzie Templeton). E para quem nunca experimentou animação e acha que pode beneficiar de um ano de pré-iniciação, a universidade também dispõe dessa possibilidade.


Ao acabar a licenciatura senti que tinha aprendido o que queria. Entrei a rabiscar e saí com técnica de desenho. Aprendi a organizar a minha forma de pensar aplicada à narrativa de uma história e como pensar em usar o contexto para criar as personagens de forma coerente. Acompanhei as várias fases do desenvolvimento de filmes e percebi a importância da organização inicial e de como é essencial conseguir cumprir os prazos. Principalmente, desenvolvi a minha técnica de animação tradicional e, mais tarde, aprendi a estilizá-la.

Mais para o final, e muito relevante, fui confrontada com simulações de entrevistas e ensinada a organizar e apresentar o meu trabalho de forma a poder fazê-lo no mundo profissional.


Finalmente, grande parte da satisfação que guardo em memória passa também, claro, pela experiência social. O estúdio é um espaço aberto e agradável, dividido de forma a juntar pequenos grupos de trabalho, o que proporciona o à-vontade necessário para juntar a criatividade ao trabalho, tornando-se num lugar pessoal e confortável. E quem gosta do ar livre vai adorar as idas em grupo ao enorme jardim Zoológico de Marwell para fazer desenho à vista. Não esquecer também a cidade de Bournemouth, para os tempos livres: pequena, bonita, com muitos espaços verdes e ao pé da praia!! Onde fortaleci amizades com pessoas que estão agora espalhadas por estúdios em toda a Europa e mais além, e com quem tenciono voltar a estar e, possivelmente, também trabalhar.


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