sábado, 16 de julho de 2011

A Animação Portuguesa em Annecy e a Agência da Curta-Metragem


Por: Abi Feijó


A Animação Portuguesa é variada na sua forma e nas vertentes que tem sabido desenvolver, tanto na produção como nos aspectos culturais e pedagógicos, e é esta variedade que poderão encontrar representada pela Agência da Curta-Metragem, que este ano esteve presente, pela primeira vez, no Festival de Annecy.


Desde 1991 ano em que o Instituto Português de Cinema (hoje ICA-IP) começou a apoiar as curtas-metragens, que a Animação Portuguesa se começou a desenvolver. Primeiro no âmbito das curtas-metragens e mais tarde com a tentativa da sua industrialização: Os Salteadores (Abi Feijó – 1993), a Estória do Gato e da Lua (Pedro Serrazina – 1995), A Suspeita (José Miguel Ribeiro – 1999) e a História Trágica com Final Feliz (Regina Pessoa – 2005) são, porventura, os exemplos mais significativos do sucesso e do reconhecimento internacional que a Animação Portuguesa alcançou, sem esquecer os nomes de Zepe, Joana Toste e Cristiano Mourato.


Infelizmente no campo da industrialização, os resultados não são tão encorajadores, apesar dos esforços da Animanostra, da Zeppelin Filmes e, mais recentemente, da Sardinha em Lata. Dificuldades no envolvimento das televisões nacionais na produção de animação, bem como a ausência de ofertas de formação, até há pouco tempo, dificultaram muito esta tarefa das produtoras nacionais. Mas, recentemente, o ensino da Animação começou a dar os primeiros passos o que constitui um factor de mudança e de desenvolvimento.


Culturalmente, Portugal tem organizado festivais importantes, como o Cinanima, que desde 1977 tem divulgado o melhor da Animação Mundial; a Monstra, que já ultrapassou os seus primeiros 10 anos de existência; e, ainda, o First, um festival de filmes de escolas. A Casa da Animação – um centro cultural inteiramente dedicado ao Cinema de Animação – constitui um outro pólo dinamizador da Animação, promovendo, entre muitas outras actividades, sessões de filmes, workshops, simpósios e a Festa Mundial da Animação. Em Vila do Conde, a ANIMAR tem conseguido levar uma verdadeira multidão às suas exposições sobre Cinema de Animação.


É importante referir, ainda, o assinalável trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no âmbito dos workshops de cinema de animação com crianças e adolescentes, cuja produção anual ronda as duas horas de filmes, sendo o Fernando Saraiva e a Anilupa um dos principais responsáveis, num universo onde me incluo e se destacam, também, os trabalhos de Fernando Galrito, Paulina Vieira, Paulo d’Alva, Cine Clube de Avanca e Cine Clube de Viseu, entre muito outros.


Esta presença da Agência da Curta-Metragem no Festival de Annecy constitui uma excelente oportunidade para conhecer a melhor Animação se tem vendo a produzir em Portugal, pelo que esperamos por si no nosso stand no MIFA (Marché international du film d’animation).

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